Gosto de me sentir ausente. Me sinto protegido, longe, em paz, como se nada mais pudesse me afetar. E agora, não sei se as coisas me afetam como me afetavam antes. Não sei se consigo dar a mesma importância às coisas que dava antes. Minha vida parece se resumir a arrumar distrações para NUNCA cair no tédio, porque o tédio me apavora e eu odeio a inércia com todas as minhas forças, assim como eu odeio a repetição de coisas, em qualquer aspecto. Me sinto parado no tempo. E ultimamente (nos últimos anos), é tudo o que tem acontecido. E eu fujo. Vou morar em outra cidade, longe de casa, longe das mesmas pessoas, onde posso começar do zero; mas tenho quase certeza de que todas as coisas se repetirão, de certa forma. Isso me deixa profundamente irritado. Eu procuro por alguma coisa, alguma sensação, ou até talvez por alguma pessoa, mas não consigo encontrar. Não consigo saber o que fazer com clareza... E às vezes me pego no maldito dilema sobre sentir ou não sentir. Não sei o que é melhor, porque às vezes sinto as coisas, choro, tenho gastrite e problemas emocionais, mas outras vezes, também me torno uma rocha. Mas no momento, parece que estou me tornando uma rocha até para as coisas que realmente importam. E sinto raiva... Sinto raiva dos outros, sinto raiva de mim, até que me dá a vontade de me ausentar de tudo, até de mim. Só que, não posso fugir de mim. Não posso fugir dos meus complexos, da minha raiva, dos meus caprichos, das minhas vaidades e luxúrias. E quando paro para pensar sobre a minha vida, não tenho a mínima ideia sobre o que posso esperar do futuro. Na verdade, nem ao menos sei se estarei vivo daqui a uma semana. Por pensar assim, eu deixei minha vida nas mãos do "destino", que você também pode chamar de acaso. Me joguei ao vento e estou apenas sendo um espectador de tudo o que acontece. Mas isso me causa solidão. Sempre penso que em todos os eventos pode acontecer qualquer uma das probabilidades existentes, boas ou ruins, e isso me faz apenas ter vontade de me jogar e não me preocupar com nada na vida. Mas de tanto fazer isso, me sinto desesperado. Estou começando a odiar incertezas também, assim como odeio as pessoas e me odeio periodicamente. Mas, se eu me tornar um inimigo dessa mão invisível que me segura quando eu me jogo, o que vou poder fazer para encarar as coisas? E fica aqui mais uma dúvida.
Quero um cigarro, quero uma bebida, quero me sentir fora da realidade. Quero poder rir das coisas, até do meu próprio sofrimento. Não me agrada mais o fato de ser protagonista da minha vida, nem de vez em quando.
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